Em SP, Franz Ferdinand mostra que não é preciso multidões para fazer barulho

Os meninos do Franz Ferdinand já estão acostumados a transitar dos palcos de grandes festivais para tablados menores em shows surpresas no exterior. Mas se o público brasileiro não está familiarizado em ver bandas já renomadas em apresentações para poucas pessoas, os escoceses mostraram para os fãs daqui que não é preciso multidões para fazer barulho.

Diferente das outras duas vezes que a banda de Alex Kapranos aportou no Brasil --primeiro abrindo para o U2 e depois em turnê própria--, nesta quarta-feira (30) o Franz Ferdinand subiu ao palco da boate The Week, em São Paulo, e tocou para um público de não mais do que 1.300 pessoas. E, para a plateia reduzida, o grupo trocou o espetáculo e as grandes produções por um show explosivo de uma banda rock.

"No You Girls", "Turn It On", "Can't Stop Feeling" e músicas de "Tonight: Franz Ferdinand", disco lançado no início deste ano, foram intercaladas com os primeiros hits da banda ("Take Me Out" e "Michael") e com as faixas que seguiram em ascensão no segundo álbum ("Do You Want To", "Outsiders" e "Walk Away").

Em pouco mais de uma hora e meia, as guitarras que trouxeram ao Brasil em anos anteriores deram lugar aos sintetizadores e os refrões apareceram sob os graves do baixo de Robert Hardy e da bateria de Paul Thomson, enquanto o guitarrista Nick McCarthy subia no balcão do bar da pista e se jogava no público. Com o novo repertório, o Franz Ferdinand mostrou que caminha com elegância entre o rock e a pista de dança --ao vivo, "Lucid Dreams" ganhou uma viagem eletrônica e psicodélica de quase oito minutos.

A passagem-relâmpago dessa semana vai ganhar continuidade em março de 2010, quando o Franz Ferdinand volta ao Brasil para uma turnê completa que passará por Porto Alegre (dia 18, no Pepsi on Stage), Rio de Janeiro (19, Fundição Progresso), Brasília (21, em local a ser confirmado) e São Paulo (23, Via Funchal).

Antes disso, a banda se apresenta nesta quinta-feira (1º) no palco do Video Music Brasil 2009 como principal atração da cerimônia de entregas. Serão apenas duas músicas, mas Alex Kapranos garantiu com antecedência que não haverá playback, como fez o Bloc Party na edição de 2008 do evento. "Vamos tocar ao vivo", lembrando que é isso o que eles bem sabem fazer.

 

Veja as músicas que o Franz Ferdinand tocou em São Paulo:

"No You Girls"
"The Dark of the Matinée"
"Walk Away"
"Tell Her Tonight"
"Can't Stop Feeling"
"Do You Want To"
"Bite Hard"
"This Fire"
"What She Came For"
"Take Me Out"
"Ulysses"
"40"
"Outsiders"

bis
"Michael"
"Van Tango"
"Turn It On"
"Lucid Dreams"

Ingressos para AC/DC estão esgotados; novos lotes serão postos à venda

No segundo dia das vendas, iniciadas à 0h desta quinta-feira (1º), os ingressos para o show do AC/DC em São Paulo no dia 27 de novembro já estão praticamente esgotados.

Segundo a produtora Time For Fun, responsável pelo evento, todas as entradas que haviam sido destinadas para venda ao público já acabaram. No entanto, estão sendo postos a venda pequenos lotes retirados das cotas reservadas originalmente aos patrocinadores, equipe da banda, produtora do evento e convidados em geral.

Segundo a Time For Fun, os lotes, que incluem entradas para todos os setores, serão disponibilizados aos poucos durante os próximos dias e podem ser comprados em todos os canais de venda. Os preços permanecem os mesmos: R$ 150 (arquibancada laranja), R$ 250 (pista) e R$ 300 (cadeira superior).

A produtora ainda não sabe precisar quantos ingressos ainda serão vendidos, pois isso depende da quantidade liberada pelos patrocinadores e pela equipe da banda. Quando as vendas acabarem definitivamente isso será avisado pelo site da Ticketmaster. 

Para quem não conseguir efetuar a compra na primeira tentativa, a Time For Fun recomenda persistência, pois não há como prever a com que freqüência os novos lotes serão inseridos no sistema. Nesta sexta-feira (2) o site da Ticketmaster, responsável pelas vendas online, continuou instável, chegando a ficar fora do ar em alguns momentos durante o dia.

No total, o show do AC/DC comportará 65 mil pessoas. A capacidade é menor do que os 70 mil das apresentações de Madonna no Morumbi no ano passado, mas é até agora a maior de 2009 para eventos musicais no estádio, ultrapassando o Jonas Brothers, que vendeu 45 mil dos 50 mil lugares disponíveis.
 

AC/DC - BLACK ICE WORLD TOUR EM SÃO PAULO

Quando:
27/11 (sexta-feira), a partir das 21h30
Onde:
Estádio do Morumbi - Praça Roberto Gomes Pedrosa, nº , Morumbi
Quanto: De R$ 150 a R$ 300.
Informações: www.showacdc.com.br
Venda de ingressos: Bilheterias do Credicard Hall - Avenida das Nações Unidas, 17981 (ponto de venda oficial). Ou nos pontos de venda Ticketmaster
Venda online: www.ticketmaster.com.br
Venda por telefone: 4004-2060

 

Kings of Leon trabalha em novo disco com músicas que "soam como Radiohead e The Band"

O Kings of Leon vivia duas vidas distintas, conta o baterista Nathan Followill, e só agora a banda conseguiu unir as duas. Antes do lançamento do disco "Only By Night" (2008) e do single premiado com o Grammy, "Sex On Fire", o quarteto norte-americano de Nashville --composto por três irmãos e um primo-- era famoso no Reino Unido, onde tinha 15 singles nas paradas e era a atração principal em shows em arenas.

Em casa, entretanto, eles eram virtualmente anônimos. "No Reino Unido e Europa, nossos seguranças andavam com a gente, porque as pessoas não nos deixavam em paz. Era uma loucura", conta Nathan, de 30 anos. "Daí chegávamos em casa e a única pessoa que nos conhecia era nossa mãe. Quase desistimos da ideia de algum dia sermos grandes, especialmente na América. Mas esse álbum saiu, com uma canção com as palavras 'sexo' e 'fogo', e tudo mudou. Quem poderia imaginar?".

"Sex On Fire", que ocupou o topo da parada de singles alternativos da Billboard, de fato ajudou a impulsionar "Only By Night", o quarto álbum do Kings of Leon, a vendas que renderam um disco de platina nos Estados Unidos. Também rendeu outro single, "Use Somebody", que chegou ao Top 5. Mas a verdade é que havia um pouco de tensão na banda antes disso acontecer.

Nathan e seus irmãos, o cantor e guitarrista Caleb e o baixista Jared, sempre tocaram juntos. Filhos de um pregador pentecostal itinerante, Ivan "Leon" Followill --e netos de outro pregador, também chamado Leon, daí o nome da banda--, os irmãos eram frequentemente chamados para tocar nos seus serviços religiosos pelo sul da América. "Sabíamos que era um tipo diferente de criação", reconhece Jared, de 22 anos. "Olhando para trás, é legal o que fazíamos, não temos vergonha. Não temos que evitar qualquer coisa no mundo". E isso inclui a música.

Apesar de Jared dizer que a mãe deles, Betty-Ann, "não queria que escutássemos rock and roll", o pai deles colocava no rádio quando ela não estava no carro. "Meu pai escutava emissoras de rock antigo”, diz o baixista, "e a gente ouvia The Band, Tom Petty, Neil Young, Bob Dylan, esse tipo de som. Não era algo importante na vida dele, era algo que ele ouvia para passar o tempo enquanto estávamos na estrada".

O gosto dos irmãos, no final das contas, se expandiu, principalmente após o divórcio de seus pais e a mudança deles para Nashville com sua mãe. Lá eles conheceram um compositor chamado Angelo Petraglia, que os ajudou a aperfeiçoar seus talentos e também os apresentou a outros tipos de música. "Eu passei por uma fase The Cure", lembra Jared, "e depois comecei a ouvir Pixies, que mudou minha vida. Era muito diferente de tudo. Eles faziam exatamente o que queriam, não se importavam com mais nada, exceto a música que queriam fazer", conta.

Uma banda por um contrato
Nathan e Caleb eram os membros originais da banda. Foram eles que assinaram um contrato de gravação como uma dupla com a RCA Records no início dos anos 2000. A gravadora sugeriu que formassem uma banda completa, então os irmãos recrutaram Jared, que só tinha 16 anos na época e teve que aprender a tocar baixo, e o primo deles, Matthew, que assumiu a guitarra principal. "Esta é a primeira banda em que todos nós já estivemos", diz Nathan. "A maioria das bandas toca junta por uns seis anos antes de conseguir um contrato, e nós formamos a banda porque tínhamos um contrato".

Um EP inicial, "Holy Roller Novocaine" (2003), gerou uma badalação para o primeiro álbum do Kings of Leon, "Youth and Young Manhood", que foi lançado naquele mesmo ano. Ele foi bem recebido: a revista "Rolling Stone" deu ao álbum quatro de cinco estrelas, enquanto o "New Musical Express" britânico o chamou de "um dos melhores álbuns de estreia dos últimos dez anos".

"Não esperávamos aquilo", diz Jared. "Quando as pessoas nos ligavam e contavam que eles estavam dizendo essas coisas, não sabíamos o que dizer a respeito. É bacana. Nós ficamos felizes, mas não estamos tentando ser a maior banda de todos nem nada assim. Nós estamos apenas fazendo música que queremos ouvir".

A visibilidade geral do Kings of Leon, se não suas vendas de discos nos Estados Unidos, cresceu durante mais dois álbuns e turnês abrindo para U2, Bob Dylan e Pearl Jam. A disparidade da popularidade da banda em casa e no exterior parecia estranha, reconhece Nathan, mas ele também via benefício nisso. "Eu acho que, na verdade, nos ajudou, já que nunca nos cansamos disso".

Nathan conta que eles sempre aguardavam "ansiosamente" para ir ao Reino Unido e Europa. "Éramos grandes lá, mas também queríamos voltar para casa, porque havia um certo grau de anonimato. Isso nos manteve famintos e humildes. É difícil ficar convencido quando você chega em casa e ninguém sabe quem você é. Isso manteve o fogo sob nossos traseiros. Mas tudo acontece por um motivo e realmente estamos curtindo onde estamos agora".

Ingressos para show do Franz Ferdinand em SP esgotam-se em 15 minutos

Os 500 ingressos para o concorrido show do Franz Ferdinand em São Paulo, no próximo dia 30, esgotaram-se em apenas 15 minutos, segundo a assessoria de imprensa do evento. As entradas foram colocadas à venda a partir das 16h no valor de R$ 260.

Até o dia 24 deste mês, a Smirnoff, patrocinadora da noite, segue com um concurso cultural para distribuir outros 150 ingressos. Para concorrer é preciso ter acima de 18 anos e acessar o site da empresa para responder a pergunta: "O que faria você dizer 'eu estava lá' depois do show do Franz Ferdinand?". O resultado será anunciado no dia 28.

Principal atração da cerimônia de entrega do Video Music Brasil 2009, a banda vai aproveitar a passagem-relâmpago pelo Brasil para fazer um show exclusivo na capital paulista para pouco mais de mil pessoas, na boate The Week.

A banda liderada por Alex Kapranos, que se apresenta no palco do VMB 2009 no dia 1º de outubro, lançou "Tonight: Franz Ferdinand" em janeiro deste ano. O terceiro álbum do grupo escocês traz os singles "Lucid Dreams", "Ulysses", "No You Girls" e "Can't Stop Feeling".

FRANZ FERDINAND EM SP

Quando:
30/09, quarta-feira, a partir das 22h30
Onde:
The Week (Rua Guaicurus, 324, Lapa)
Quanto:
R$ 260 (inteira)
Ingressos:
esgotados

Mônica Bergamo: B.B. King fará show no Brasil no ano que vem.

 

Aos 84 anos, B.B. King volta a se apresentar no Brasil no ano que vem, informa a coluna Mônica Bergamo, publicada na Folha desta sexta-feira (18).

De acordo com informações da colunista, o músico, que já havia anunciado o fim de suas turnês internacionais, deve tocar no palco do Bourbon Street no primeiro semestre de 2010.

A data ainda não foi confirmada.

 

Novo clipe Arnaldo Antunes

Arnaldo Antunes revelou na última quinta, 10, o primeiro clipe tirado de seu novo disco. A faixa "Longe" faz parte de Iê Iê Iê, nono álbum de estúdio do ex-Titãs.

Em Iê Iê Iê, Antunes tem parcerias com Liminha, Paulo Miklos, Branco Mello, Ortinho e Marcelo Jeneci. Não satisfeito, o artista ainda reavivou o trio Tribalistas, chamando Marisa Monte e Carlinhos Brown para duas canções, a faixa-título e "Vem Cá". O time teve também a produção de Fernando Catatau, líder do Cidadão Instigado. Antunes se responsabilizou pelo projeto gráfico do trabalho, com ajuda de Marcia Xavier.

A turnê de lançamento de Iê Iê Iê começa no próximo sábado, 12, em Belo Horizonte. Em cima do palco, o artista será acompanhado por Edgard Scandurra (guitarra e voz), Betão Aguiar (baixo e voz), Chico Salem (violão e voz), Curumin (bateria e voz) e Jeneci (teclado e voz) , e ainda desfilará com figurino assinado por Marcelo Sommer. type="text/javascript">
Assista abaixo:

Assista:


Fonte: Rolling Stones

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Abril Pro Rock vai começar!

O maior festival de música independente vai começar! Várias bandas que hoje despontam no mainstream começaram lá!

O texto abaixo, do Blog da Cultura (www.blogdacultura.com.br) dá os detalhes. Vale a pena!

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 Por Max Santos 

 

Desde 1993 o Abril pro Rock se destaca como maior vitrine nacional das bandas idependentes. Palco principal do movimento Mangue, ganhou muito destaque no Brasil e também no exterior. Lembro em 1995, quando o festival ainda era realizado no circo maluco beleza, do agito que contagiou a cidade. O movimento mangue encantava o Brasil e despertava em nós pernambucanos um orgulho danado (algo não muito díficil de acontecer).  Com chapéu de palha na cabeça, “Pernambuco debaixo dos pés e a mente na imensidão”  o público conferiu shows  dos maiores nomes do rock/pop dos anos 90: Chico Science & Nação Zumbi, Skank, Raimundos, Mundo Livre s/a, Planet Hemp, Pato Fu. Foram quatro dias, 20 bandas e mais de dez mil pessoas. O Recife se transformou no centro musical do Brasil.

O APR tem trajétoria ímpar para um festival que tem como marca registrada aquecer o cenário da música idependente e chega a sua 17ª edição com mais pontos positivos do que negativos. Claro que mudanças aconteceram e com elas críticas, dificuldades e adpatações, que de certa forma,  afetou aquele clima que falei em 1995.  Mas uma coisa não podemos negar, o festival ainda é uma grande vitrine para música idependente brasileira. Diante de tantas novidades, mudanças e renovações no mercado musical, volto a acompanhar o festival querendo entender a nova estrutura da música idependente e acho que aqui é o lugar.  Nesta busca, vou compartilhar informações através do BLOG DA CULTURA  e espero que possamos estender o debate. 

Amanhã, antes da primeira noite de shows, acontece no auditório da LIVRARIA CULTURA RECIFE  uma palestra com o tema: Festival abril pro rock - estratégias do mercado idependente: da primeira demo aos festivais. Será um ótimo começo.

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Mistura de bossa nova, samba, blues e baião

“É cantando todo dia que a vida fica melhor”.  A frase está em uma das músicas de “Mil Rosas”, o novo disco da cantora Ana Paula Lopes. E é com ela que a jovem, apontada pela crítica como revelação entre as novas cantoras brasileiras, explica a paixão que tem pela música e o motivo de querer levá-la para onde puder. Mesmo que seja para longe. Lançado no ano passado aqui no Brasil, “Mil Rosas” chega, agora, ao Japão. O disco, que conta com arranjos e produção musical de Celso Marques,  leva para o outro lado do mundo uma mistura bem brasileira, com influências do jazz. Além dele, o bom e velho samba, o baião, a bossa nova e o blues também estão nas músicas do trabalho, que tem como um dos principais destaques a ousadia. Depois de apresentar sua voz ao público no primeiro CD, “Meu”, como intérprete de canções já conhecidas, Ana Paula Lopes foi buscar entre novos nomes, o repertório para este segundo trabalho.

“No primeiro disco, eu quis me apresentar para as pessoas, mostrar a minha voz, gravando músicas já conhecidas, como “Chovendo na Roseira” e “Águas de Março” de Tom Jobim; “A Mais Bonita”, de Chico Buarque e “Meu”, de Djavan. Foi uma oportunidade de homenagear meus grandes mestres, cantando músicas de formação. Agora, com “Mil Rosas”, eu quis arriscar e ser mais ousada: gravar novos compositores e caminhar ao lado da minha geração”.

A construção do repertório demorou um ano. Entre os novos nomes, escolhidos por Ana Paula Lopes, estão Giana Viscardi, Juliana Kehl, Marcelo Silva, Domenico Lancelotti e Rodrigo Leão. A própria cantora assina a canção que dá nome ao disco, um trabalho marcado pela sofisticação das letras e dos arranjos.

O DISCO
O samba rápido Gata Lúcida abre o disco. A música, que tem como referência o estilo de João Bosco, apresenta a voz de Ana Paula Lopes, logo de cara, em uma velocidade empolgante.
Mil Rosas vem em seguida e dá nome ao CD. Composta pela própria cantora, a faixa tem como tema um amor mal resolvido e surgiu a partir do estudo de uma música de João Donato. Ritmo e letra saíram juntos, durante a criação.
Mesmo que Tarde é a música mais sensual do disco. A calma inicial é transformada em explosão, em uma canção cheia de sutilezas e detalhes a serem percebidos.
Sorrir à Toa, quarta faixa do disco, ganhou uma levada mais pop e vem para mostrar que um simples gesto, como um sorriso, pode desarmar o outro e deixar tudo muito mais leve.
A delicadeza é a marca de Quem Sabe, composição de Domenico Lancelotti. Uma bossa suave embala a letra nonsense de um dos integrantes do trio carioca Kassin +2.
A sensualidade volta ao disco em Sabores. Na música está uma receita curiosa, cheia de temperos e medidas.
A sétima faixa de “Mil Rosas” é um baião. Sinhô do Tempo traz uma poesia para ser descoberta por trás da letra e do forte ritmo da música.
A valsa Outra Vez abre a segunda metade do CD. Na composição, do poeta Dedo Thenório, o amor volta a ser tema, na suave interpretação da cantora. E são as dificuldades desse mesmo amor que estão em Teu Mar, uma bossa.
A chegança é mais um baião do disco. Alegre, a música ensina uma maneira de deixar a vida melhor. A faixa abre caminho para Pedrarias, Prata e Pó, uma balada mais tensa e carregada.
Em Vai e Vem está outra bossa. Em Carta ao Meu Amor, mais uma letra de Ana Paula Lopes. Rainha da Laje, música gravada por Rodrigo Leão, fecha o disco, uma batida próxima ao samba-rock.

JULIETA VENEGAS – ACÚSTICO MTV

Ao contrário do que acontece em toda a América Latina, Julieta Venegas não é tão popular entre os brasileiros. É verdade que o show da cantora no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, em agosto de 2008, foi um sucesso entre os fãs. Mas muitos que ali estavam confessaram ter ido ao show muito mais pela participação do brasileiro Lenini – que não apareceu – do que propriamente por Julieta. Mesmo assim, quem foi, gostou do que viu.

Nesse show, o primeiro de Julieta Venegas em solo tupiniquim, a artista apresentou ao público um set list baseado no último álbum da cantora, produzido em parceria com a MTV, no formato acústico, bastante conhecido no Brasil. E quem compareceu pôde ter uma ideia do que o álbum proporciona. Seja ao piano, no pequeno acordeon ou até mesmo no violão, a mexicana desfilou o repertório com segurança, sem sustos.

Já na faixa de abertura, Limón y Sal, a cantora mostra todo o lirismo característico de sua música. A letra é singela e os arranjos são doces e suaves. É possível, ainda, sentir o peso da tuba de Alex, que marcará presença em quase todas as canções. Logo depois de Sería Feliz, uma levada mais pop do disco, El Presente ganha as caixas de som e empolga, tanto pela destreza de Julieta com o acordeon como pela letra, uma declaração de amor. “Es contigo mi vida com quien puedo sentir / Que merece la pena vivir” é parte do refrão que emociona.

O ritmo segue marcante em “Algo Está Cambiando” e, como sugere a canção, algo muda a partir dessa faixa. Entra em cena a primeira convidada, a rapper espanhola Mala Rodríguez, em “Eres para Mi”. Envolvente e provocante, a voz de “La Mala”, como é conhecida no mundo hip-hop, casa perfeitamente com a de Julieta e é quase impossível ficar parado.

Outra quebra é percebida em “Esta vez”, com as cordas e o piano soando alto, numa balada mais lenta e reflexiva. Na sequência, o próximo a dividir o palco com Julieta é o argentino Gustavo Santaolalla, vencedor do Oscar por duas vezes, na categoria trilha sonora original. A parceria apresenta a nova “Algún Dia”, na qual Santaolalla encanta nas cordas do banjo. O disco segue em outra levada do acordeon de Julieta, com “Mírame Bien”, que instiga o ouvinte a bater palma junto com a cantora no refrão.

 “Lento” é um capítulo à parte. A balada amorosa, uma das preferidas dos fãs da mexicana, ganhou roupagem ainda mais romântica. Nessa canção, Julieta troca o acordeon pelo piano e, mais uma vez, emociona o público. Logo depois, é hora de esfregar as mãos à espera de outro convidado, o também mexicano Juan Son, de voz ácida e estilo extravagante, que participa da frenética “De Mis Pasos”.

Na sequência, outra balada com novo arranjo, de encher os ouvidos: “Andar Conmigo”, também bastante conhecida dos fãs. Se até aqui, alguém duvidava da presença da tuba no álbum, teve a certeza absoluta que ela está ali, vibrante e marcante. A faixa seguinte é uma das mais tocadas do álbum, principalmente no Brasil. A convidada especial é Marisa Monte, em “Ilusión”. Parceria consolidada e mais do que aprovada pelo gosto popular.  

O álbum torna-se mais eclético ainda em “Como Sé”, com participação efetiva do brasileiro Jaques Morelenbaum, produtor e arranjador do projeto acústico. O som que é ouvido no início da faixa é extraído por Morelenbaum de um simpático serrote – isso mesmo, um serrote. Só ouvindo mesmo.

O acústico vai chegando ao final com “Mira La Vida”, bastante parecida com “Sería Feliz”. Para a última faixa, Julieta reservou o maior sucesso dela ao redor do mundo: “Me Voy”, um dos sucessos propulsores da cantora na indústria fonográfica. Outra vez, o acordeon faz um passeio seguro, acompanhado por cordas e metais. Em suma, o quinto trabalho da carreira de Venegas faz justiça ao talento da mexicana e merece ser contemplado. O Acústico ganhou dois prêmios no Grammy Latino em 2008, um deles como melhor álbum de música alternativa.

 

NLOTH é décimo segundo albúm da carreira do U2

No Line on the Horizon - U2

Muitos estão dizendo que eles se reinventaram mais uma vez. Outros, que é só mais uma parte da queda que a banda está tendo desde Achtung Baby (1991). A verdade é que No Line on the Horizon não é o que How to Dismantle an Atomic Bomb (2004) foi. O novo albúm da banda irlandesa U2 é uma obra de arte, feito com cuidado desde sua faixa título - que também abre o albúm - até a mais despretenciosa e comum música, Stand Up Comedy.

Para melhor comentar NLOTH, seria preciso fazer uma reconstituição da carreira da banda. Em 1981, U2 lança Boy, que para os fãs ainda é um dos melhores albúns da banda, com hits como I Will Follow e Out Of Control. No mesmo ano a banda lança October, um albúm pouco reconhecido pela crítica, mas que possui belas músicas como a faixa que intutula o disco. Na mesma pegada de Boy, surge então War, com dois dos maiores clássicos da banda: Sunday Bloody Sunday e New Years Day. O albúm faz com que o U2 seja conhecido no mundo e viaje aos Estados Unidos para uma turnê. No ano de 1984 o U2 lança The Unforgettable Fire, um albúm obscuro que tem como pontos altos Pride e Bad. É neste ponto que surge a primeira virada do U2. The Joshua Tree, o mais aclamado albúm da carreira até hoje, e que levou o U2 ao posto de maior banda do planeta. Essa é a primeira reinvenção de som que o U2 proporcionou, tratando pela primeira vez da parte espiritual – o cristianismo. O disco seguinte, Achtung Baby (1991) é a outra grande reinvenção sonora - e desta vez, visual também. Achtung Baby traz pela primeira vez uma guitarra suja e enigmática de The Edge e um vocal sexy appeal de Bono. A banda cria então pela primeira vez os seus gigantescos palcos e roda o mundo fazendo shows extravagantes, com Bono interpretando personagens ao vivo. Zooropa (1993) é o único albúm da banda que realmente deixa a desejar, apesar de possuir a linda Stay. Pop (1997) trouxe pela primeira vez o U2 ao Brasil. E o albúm, pouco aclamado por fãs e críticos, é um Achtung Baby Parte 2, com guitarras sujas e belas baladas. Não obstante, é a primeira vez que a banda tenta misturar o seu Rock meio Pop junto ao eletrônico, com exemplo de Mofo. Terceira reinvenção sonora da banda. Em 2000, os irlandeses lançam All That You Can't Leave Behind. E o disco, assim como seu nome sugere, é algo que não pode ser deixado para trás. Um dos pontos altos da carreira do U2, embora com uma levada diferente, mais moderna. How to Dismantle and Atomic Bomb (2004) é um bom disco, mas comparado ao que o U2 já produziu, deixa a desejar. O ponto alto foi a grandiosa turnê que passou por São Paulo em fevereiro de 2006.

Em 2009, quando todos pensariam que o U2 não faria nada muito relevante pela música, eis que surge No Line on the Horizon (2009). Poderia, sim, ser só mais uma albúm mercadológico voltado para ganhar dinheiro - ato que a banda já se mostrou ser a melhor do mundo, com lançamentos e relançamentos de diversos discos, shows e itens raros. Mas NLOTH surpreende seu ouvinte logo na primeira música, faixa título, com uma batida diferente de tudo o que o U2 já havia feito. Magnificent é a próxima. Talvez o ponto mais alto de NLOTH. Uma balada com tons épicos e passagens bíblicas. Moment of Surrender e Unknown Caller são belíssimas canções e que seguem com idéias religiosas - ponto que marcou a carreira da banda desde The Joshua Tree. I’ll Go Crazy If I Don’t Go Crazy Tonight é talvez a música com a mais bonita virada do álbum. Get On Your Boots, primeiro single de NLOTH, possui uma levada um pouco Vertigo, mas é diferenciada pela bateria e o vocal mais sexy de Bono. Stand Up COmedy lembra um pouco Red Hot Chili Peppers, com um estilo mais funkeado do que o U2 costumou um dia seguir. FEZ-Being Born é a música mais louca do disco. Começa fora de um padrão, juntando trechos de Get On Your Boots, e volta com batidas pegajosas e um ótimo riff de The Edge. White As Snow é a grande balada de NLOTH: simples, direta e belíssima. Breathe é uma boa música, - talvez a mais rock’n roll - mas ao que parece renderá mais ao vivo. Cedars of Lebanon fecha NLOTH com classe, marcada pelo vocal pretensioso de Bono e um lindo backinvocal de The Edge. No Line on the Horizon é a quarta virada. Uma reinvenção sonora para mostrar que o U2 é cada vez mais U2, e que a cada grande álbum lançado merece o posto que leva de maior banda do planeta.

 

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